LinkedIn em inglês: 4 erros que travam profissionais brasileiros na busca por vagas internacionais
Você atualizou seu LinkedIn, traduziu tudo para o inglês, começou a aplicar para vagas internacionais, e… cri…cri…cri…nada acontece. Nenhum recrutador chama. As mensagens que chegam são de gente vendendo curso. Dá aquela impressão que você escondeu seu perfil do LinkedIn em um buraco silencioso.
A maioria dos profissionais brasileiros que tentam carreira internacional acha que o problema é o inglês, a experiência, ou até a falta de network lá fora. Mas quase nunca é isso. O problema, na maior parte das vezes, é que o LinkedIn está montado de um jeito que faz com que recrutadores internacionais nem encontrem o perfil.
Recrutadores internacionais não lêem seu LinkedIn linha por linha. Sim, eu sei, você se esforçou para colocar todas aquelas informações bonitas. Mas eles fazem busca por palavra-chave. Se as palavras que ele digita não estão no seu perfil, você simplesmente não existe para ele. E isso acontece antes da entrevista, antes do currículo, antes de qualquer conversa. É um filtro silencioso que elimina candidatos qualificados todos os dias.
Esse artigo é sobre os quatro erros mais comuns que vejo nos perfis dos profissionais que chegam até mim, e como corrigir cada um.
Por que o LinkedIn em inglês é o primeiro filtro?
Antes de qualquer recrutador conversar com você, ele faz uma coisa: digita um cargo no LinkedIn Recruiter e filtra por localização, experiência e habilidades. O que aparece para ele é uma lista ordenada por relevância. Sua posição nessa lista depende quase inteiramente das palavras que estão no seu perfil, não da sua experiência real, não do seu potencial, não da sua história. Triste, eu sei.
Se o cargo dele é Product Manager e o seu título no LinkedIn é Gerente de Produtos, você não aparece na busca dele. Se ele filtra por SQL, Python, Tableau e o seu campo de skills tem só Microsoft Office e Comunicação, adivinha? Você não aparece. Se ele lê sua descrição e ela diz "responsável por liderar projetos", ele passa para o próximo perfil, porque qualquer pessoa pode dizer isso.
Esse é o jogo. Você precisa entender as regras dele para dar o primeiro passo para ser visto.
Erro 1: Título traduzido literalmente da CLT
Esse é o erro mais comum e o mais caro. A pessoa pega o cargo exato que está na carteira de trabalho e traduz palavra por palavra para o inglês. Analista de Sistemas Pleno vira Mid-Level Systems Analyst. Coordenador de Marketing Digital vira Digital Marketing Coordinator. Especialista em Folha de Pagamento vira Payroll Specialist.
O problema é que esses títulos muitas vezes são dados pelas empresas brasileiras para definir o seu teto salarial, e não são como o mercado internacional descreve essas funções. Empresas americanas e europeias usam taxonomias diferentes para os mesmos cargos. Analista de Sistemas lá fora normalmente é Software Engineer ou Backend Developer, dependendo da função real. Coordenador de Marketing Digital costuma ser Growth Marketing Manager ou Performance Marketing Lead. Especialista em Folha é Payroll Manager ou Compensation Analyst.
Quando você usa o título traduzido literalmente, você desaparece das buscas porque ninguém pesquisa por ele lá fora.
Como corrigir? Abra o LinkedIn e pesquise vagas reais para a função que você quer. Filtre por empresas dos Estados Unidos, Europa ou Reino Unido. Anote como o cargo aparece nessas vagas, não no seu cargo atual, mas no que você quer ser. Depois faça o mesmo em sites como Wellfound, Otta, Indeed Internacional. Olhe pelo menos de 15 a 20 anúncios. O nome que mais se repete para a função que você quer é o nome que precisa estar no seu LinkedIn.
Erro 2: Headline com informações aleatórias
A headline é a frase logo abaixo do seu nome. Tem 220 caracteres. É o segundo elemento mais visível do seu perfil, depois da foto. E é onde profissionais brasileiros desperdiçam mais espaço.
O que costumo ver nos perfis são frases motivacionais, missão pessoal, lema de carreira, cargo + empresa atual sem mais nada, ou nada, só o cargo padrão que o LinkedIn preenche automaticamente. "Apaixonada por tecnologia e transformação digital". "Building the future, one line at a time". "Senior Developer at [empresa brasileira que ninguém lá fora conhece]".
Isso não te ajuda em nada. A headline não é onde você expressa personalidade, é onde você vai sinalizar, em poucas palavras, o que você faz e quais são suas competências principais, usando as palavras que os recrutadores estão buscando.
Como corrigir? Escolha de 3 a 5 palavras-chave que descrevem suas habilidades e ferramentas mais relevantes para a vaga que você quer. Para descobrir essas palavras, abra umas 15 job descriptions de vagas que você aplicaria amanhã, e vai anotando o que se repete. Depois monte uma headline que combine sua função com essas habilidades. Algo como: "Senior Product Manager | B2B SaaS | Data-Driven Growth | SQL & Mixpanel". E se você quer vagas remotas, é interessante colocar ali a palavra "Remote".
Erro 3: Campo de skills sem palavras-chave da vaga
O LinkedIn permite adicionar até 50 skills. As três primeiras aparecem em destaque e são as mais usadas por algoritmos de busca. A maioria das pessoas não dá importância para esse campo e adiciona o que vem na cabeça, deixa coisas genéricas como Liderança, Trabalho em Equipe, Microsoft Excel, e segue a vida.
Recrutadores internacionais filtram por skills específicas. Se o cargo é Data Analyst, ele vai filtrar por SQL, Python, Power BI, Tableau, dbt. Se o cargo é Product Manager, ele filtra por Roadmapping, A/B Testing, Mixpanel, Amplitude, Jira. Se as skills do seu perfil são Comunicação, Liderança e Excel, você não passa nem no primeiro filtro automático.
Como corrigir? O método é o mesmo. Pesquisa 15 job descriptions da função que você quer. Anote todas as habilidades, ferramentas e tecnologias que aparecem na seção Required ou Must-have. As que mais se repetem entram no seu campo de skills do LinkedIn. As duas mais importantes vão no topo, porque são as três primeiras que aparecem destacadas no perfil. Tira do seu LinkedIn qualquer skill genérica que não está nas job descriptions. Ela está ocupando espaço que poderia estar te fazendo aparecer em uma busca.
Erro 4: Experiências descrevendo tarefas, não resultados
Esse é o erro que separa um profissional comum de um candidato forte. A maior parte dos perfis descreve experiências assim:
Responsible for managing the marketing team and developing campaigns. Worked with content creation, social media, and email marketing. Coordinated with the sales team and reported to the CMO.
Isso é a descrição da vaga, não da pessoa. Qualquer um que ocupou esse cargo teria que fazer estas tarefas. Quando um recrutador lê uma frase dessa, ele passa adiante.
O que um recrutador internacional procura é evidência de impacto. Não o que você fez mas o que aconteceu por causa do que você fez. Em números, percentuais, escala.
Como corrigir? Vai em cada experiência do seu LinkedIn e, em vez de descrever tarefas, pense nos resultados que você teve. Você liderou pessoas? Quantas? Você reduziu custo? Em quanto, em valor absoluto ou percentual? Você melhorou um processo? Em quanto tempo, com qual ganho de eficiência? Você aumentou a conversão, retenção, NPS, receita? Em quanto?
A mesma experiência reescrita ficaria assim:
Led a marketing team of 6 people across content, social, and email. Grew organic traffic from 80k to 240k monthly visitors in 14 months. Reduced customer acquisition cost by 38% by restructuring paid funnel. Reported directly to the CMO.
A diferença é que agora eles têm evidência de quanto você impacta dentro de um projeto. Quando o recrutador lê a segunda versão, ele consegue julgar o tamanho do problema, a escala da operação, e o impacto real. A primeira versão poderia ser de um estagiário ou de um diretor, não dá para saber. A segunda diz claramente quem é a pessoa.
Se você não tem números exatos, tente estimar. Pegue o histórico do seu trabalho, conversas com ex-colegas, abra relatórios antigos. A pior decisão é deixar o campo descritivo sem dados, porque sem dados, você não se diferencia de ninguém. Se você ainda está ativo em uma empresa e quer migrar, já comece a registrar os seus impactos em números para ter isso no seu LinkedIn bem claro.
O que fazer agora?
Você não precisa refazer o LinkedIn inteiro hoje. Mas precisa começar.
Separe duas horas no fim de semana. Abra uma aba do LinkedIn com vagas internacionais que você aplicaria amanhã, abra outra aba com seu próprio perfil, e vai cruzando: o título da vaga bate com o seu? As skills que aparecem como required estão no seu perfil? Sua headline tem as palavras-chave que os recrutadores buscam? Suas experiências mostram resultado claro ou só explicam quais eram as suas tarefas?
Esse exercício, sozinho, já vai te colocar em uma posição muito melhor do que você está agora.
Quer uma análise mais profunda?
Se você sentir que ainda está faltando algo, que o problema não é só o LinkedIn, mas o jeito como você se posiciona como profissional brasileiro no mercado internacional, esse é exatamente o trabalho que faço com mentorados dentro do GCA. Responda algumas perguntas e eu mando uma análise pessoal do seu posicionamento atual.
Quero meu Diagnóstico GratuitoO LinkedIn é a primeira porta. Vale a pena destravar ela.